De onde eu venho – Amor, família e as raízes que ficam
Show notes
Eine besondere Folge von „Coisa de Pele“: Diesmal gibt es den Podcast ausschließlich auf Portugiesisch. Lídia hat zwei ganz besondere Gäste am Mikrofon: ihre Eltern João Bosco und Maria de Fátima. Eine sehr persönliche Familienfolge über Herkunft, Liebe, Distanz und die Werte, die ein Leben lang bleiben.
Neste episódio especial de Coisa de Pele, a conversa fica em família.
Lídia recebe seus pais, João Bosco e Maria de Fátima, durante a visita deles à Alemanha – e transforma esse encontro em uma conversa cheia de memórias, carinho e histórias que atravessam gerações.
Eles falam sobre envelhecer com autonomia, sobre as diferenças entre Brasil e Alemanha, sobre a saudade de filhos e netos que vivem longe e sobre como a tecnologia mudou a forma de manter uma família próxima, mesmo quando existem milhares de quilômetros de distância.
Maria de Fátima conta sobre sua relação com a fé, a escrita e os antigos diários, sobre sua vida como odontóloga e sobre aquilo que sempre procurou transmitir aos filhos. João Bosco fala da disciplina, do esporte, de crescer em uma família com 14 irmãos e de uma vida em que responsabilidade, união e movimento sempre tiveram um lugar importante.
E, claro, também existe espaço para falar de amor: são 48 anos de casamento, depois de sete anos de namoro. O que mantém duas pessoas juntas por tanto tempo? Como criar filhos com disciplina sem abrir mão do carinho? E o que Lídia herdou de cada um deles?
Uma conversa íntima, leve e cheia de afeto sobre família, raízes, envelhecimento, escolhas e aquela saudade que dói justamente porque existe amor.
Um episódio para guardar – e também uma homenagem a todos que têm seus pais por perto, vivem longe deles ou carregam sua presença na memória.
Show transcript
2026-08-20: 2026-08-20
00:00:08: LidiaOlá, meus queridos, Lídia Poppe aqui. Nós temos de novo uma nova série do nosso podcast Céu com Acento. Agora, nesta vez, de fato, um pouco diferente, porque esta nova série só será gravada em português, porque eu vou entrevistar, meus queridos pais, João Bosco e Maria de Fatima, que estão visitando o Brasil.
00:00:34: LidiaPor isso.
00:00:45: LidiaSe vocês querem experimentar suas habilidades portuguesas
00:00:51: LidiaMuito prazer e até ao próximo vídeo.
00:00:58: LidiaOi, gente querida. Tudo bem? Sejam bem-vindos a mais um episódio do nosso podcast Coisa de Pele. Eu sou a doutora Lídia Popper. Sou médica, dermatologista, mãe de três filhotes, empresária e vereadora aqui em Bad Kissingen. E hoje nós vamos ter um episódio especialíssimo, porque eu tô com visita. Meu povo, tô com visita aqui em casa dos meus pais. O doutor senhor João Bosco da Silva e a senhora doutora Maria de Fátima Barbosa de Lima e Silva.
00:01:29: LidiaSim. Estão comigo. A gente está curtindo aqui um tempo muito legal. Já faziam quase sete anos que eles não vinham mais para a Alemanha. E é muito engraçado porque eles vieram sempre assim para o nascimento dos meus filhos. E aí ano passado, quando a gente estava visitando eles lá, o meu filho mais velho disse assim: eu acho que agora é hora de vocês virem visitar a gente aqui na Alemanha. Então foi muito legal. E nós ficamos muito felizes que esse planejamento deu certo. Eu preciso aqui avisar três coisinhas antes de a gente começar com essa conversa tão legal.
00:02:01: LidiaPrimeiro, vocês vão ouvir várias vezes que os meus pais vão se referir a mim como Marília. Por quê? Porque Marília é o meu segundo nome. Eu digo que Lídia é o meu nome artístico e Marília é o meu nome dentro da família. O meu nome é Lídia Marília. E é engraçado que na minha família o pessoal me chama muito de Marília, de Marilinha. E, geralmente, no mundo profissional, todo mundo me chama de Lídia. Não se assustem se o meu papai ou a minha mamãe me chamarem de Marília. Está certo?
00:02:30: PapaMarilinha.
00:02:31: LidiaMarilinha, é, não é, pai?
00:02:33: LidiaSegundo ponto é que a gente está fazendo uma conversa bem informal. Eu preciso simplesmente falar que aqui. A gente quer trazer um pouco dos valores do dia a dia. Então eu espero que vocês levem isso também com muito humor, com muita leveza. E o terceiro ponto é que esse episódio só vai ter realmente em português. Então não vai ter a tradução dele direta para o alemão. Eu já falei anteriormente. Mas geralmente eu solto episódios duplos em português e em alemão.
00:03:04: LidiaMas dessa vez vai ser só em português, Tá bom? Então vamos lá, Vamos dar sequência nisso aqui. Fazendo uma apresentação rápida, O meu paizão, Que eu chamo ele de Dead Zimo. Então de paizão, João Bosco, Que tem um nome até meio italiano, Né? Que Bosco é Bosque italiano, Dom Bosco. Ele vai completar agora 75 anos. Ele tem uma carreira dentro da Polícia Militar, É Coronel da Reserva, Mas também fez Direito.
00:03:36: LidiaFez Administração e Educação Física Pela Escola do Exército lá do Rio de Janeiro. Assim, o homem aqui não é fraco.
00:03:44: MamaNão.
00:03:44: LidiaE eu tenho a doutora Maria de Fátima, a mamãe que a gente chama de Fatinha. Eu chamo de mamãe. Ela acabou de completar 73 anos. Tem também três filhos. O casamento dela já tem 48 anos e mais sete de namoro. Então eles estão há 55 anos juntos. E a mamãe trabalhava como odontóloga, dentista no Instituto de Prevenção de Câncer do Estado do Ceará e também tinha uma clínica particular em casa.
00:04:18: LidiaMeus pais sempre trabalharam muito, 100%, e a gente morava num bairro um pouco mais afastado do centro, que se chamava Bairro Ellery, lá em Fortaleza. Agora eles estão morando num bairro muito bom, que é a Aldeota, um prédio um por andar. Realmente tem uma história de prosperidade que a gente tem muito orgulho. Mas para a gente começar a aquecer aqui o negócio, eu vou fazer uma pergunta que eu mesma gosto muito.
00:04:50: LidiaPor quê? Porque eu acho que a gente se define muito pela profissão. Pelo casamento, pelos filhos. Mas a gente às vezes esquece de quem a gente é além disso. A minha primeira pergunta, vou começar aqui. Paiçao, diz aí um oi e diz pra gente: se você tivesse que se apresentar hoje, sem falar de profissão, de casamento ou de filhos, quem você diria que você é?
00:05:18: PapaMuito bem, Marilinha. Antes, oi. Muito bem, uma pergunta muito importante. Eu gostei bastante. Marilinha, minha princesa. Eu trato Marilinha como uma princesa. Me desculpe. São duas moças. Duas princesas e um rapaz que é um príncipe.
00:05:37: LidiaO papai sempre chama a gente das princesas e do príncipe dele.
00:05:41: PapaComo cidadão, quero informar que a gente é um cidadão com direitos e deveres. É um cidadão brasileiro. Que tem todas essas atribuições. Tanto nós temos direitos, como nós temos deveres.
00:06:00: LidiaMuito bem, Paizão. Vou passar aqui para a mamãe. E você, doutora Fátima? Diz um oi aqui para a gente. Se você fosse se apresentar hoje, sem ter que falar de profissão, de filho, quem você diria que você é?
00:06:14: MamaEu sou uma mulher que ama muito a minha família sagrada. Sou muito feliz porque tem muita coisa boa na minha vida. Eu tenho autonomia e já tenho mais tempo de viver, de aproveitar a vida, fazer atividade física, meditar, fazer oração, que eu tanto gosto. E eu e minha família são o que tenho de mais precioso na vida.
00:06:41: LidiaSão fofos, não são, gente? Estou dizendo. Mas, assim, tem uma coisa que eu tenho que perguntar. Vocês já estão aqui com mais de 70. Estão na terceira idade. Mas estão entrando muito bem nela. Tem alguma característica de vocês que vocês perceberam que ficou mais forte com o tempo? Seja teimosia, seja organização, seja desorganização. Teve alguma coisa? Eu, por exemplo, acho que comigo
00:07:11: LidiaComparando assim. Tem uma coisa que eu vou falar para vocês aqui. O meu pai disse, quando eu era menor. Quando eu ficava com raiva, ele dizia que eu era um siri numa lata. Quem fosse arense vai lembrar.
00:07:25: PapaEntendi.
00:07:26: LidiaMeu pai dizia três coisas para mim. Que eu era a princesa dos sete mares dele. Que quando eu ficava com raiva, parecia uma siri numa lata. Ele dizia que eu era a cigana da família, porque eu vivia em tudo quanto era de lugar.
00:07:42: LidiaMas, pai, tem alguma característica sua que você percebeu que aumentou com o tempo? Sei lá, cuidado com o corpo ou então organização?
00:07:53: PapaÉ, Marilinha, a gente observa que, no decorrer do tempo, a vivência do dia a dia entre marido e mulher, a gente vai absorvendo e a gente vai também tendo um pouquinho de tolerância, porque todos nós temos nossos.
00:08:14: PapaDefeitos, mas temos as nossas qualidades. É saber tolerar. Ter respeito, ter muito amor e tocar o barco pra frente.
00:08:26: LidiaE você, mamãe?
00:08:29: MamaEu acho que hoje sou mais feliz porque já não tenho tanto trabalho. Sou muito mais feliz. Procuro viver, procurar fazer atividade física que eu não fazia. Já procuro tentar estudar outra língua, que é meio difícil. Tentei alemão, mas não consegui. Agora estou tentando, estou estudando inglês. Assim, mas hoje acho muito importante você ter essa autonomia.
00:09:02: MamaVocê ser mais ou menos da sua vida. Você já não tem tantos horários para você. Eu tenho que trabalhar a tal hora. Hoje eu sou mais feliz. Muito mais feliz.
00:09:14: LidiaSente menos pressão?
00:09:15: MamaSente mais liberdade? Sente mais liberdade de vida. A alimentação melhorou. A minha qualidade de vida, porque eu faço minha comida. E eu acho isso muito importante.
00:09:28: LidiaOlha só, Gente! Vocês estão vendo, eu percebo aqui que uma das coisas que eles mais ficam felizes é ter essa autonomia, ter um estilo de vida mais tranquilo. E eu acho isso muito legal.
00:09:44: LidiaMas o que eu percebi é que, assim, eu saí da Alemanha há 20 anos.
00:09:51: LidiaVocês sentem que a minha ida para a Alemanha mudou, de alguma forma, como vocês olham para o Brasil? Tipo assim, vou perguntar aqui primeiro para a minha mãezinha. Você percebe algum hábito brasileiro que você sente falta aqui? Ou também, no contrário, um hábito alemão que você acha que deveria virar costume lá no Brasil?
00:10:14: MamaEu acho que o Brasil é alegria. Aquela alegria acolhe todo mundo muito bem. É uma felicidade, uma alegria muito grande. Mas eu admiro muito o alemão. Porque eles respeitam o respeito no trânsito, o respeito pelo idoso, a limpeza, a higiene, eu acho muito bonito. Uma coisa que eu aprendi da última vez que nós voltamos foi reciclar o lixo. No Brasil, temos o hábito, o caminhão do lixo chega e leva o lixo todo misturado.
00:10:48: MamaHoje, no nosso prédio. Nós somos uma das poucas famílias que recicla o lixo. Meu esposo leva o lixo para o Ecoponte. É um centro de reciclagem em Fortaleza. Eu fico feliz. Eu aprendi aqui na Alemanha a reciclar o lixo, a ter esse cuidado. Já não misturo o lixo. Achei muito positivo. E acho lindo a maneira. O idoso ser carinhoso
00:11:19: MamaPorque eu amo demais o Bosque. A gente é muito amiguinho. Eu acho lindo o bar de Kinsage. Esse carinho do idoso. É uma cidade linda que eu amo muito. Pela maneira com que o idoso se trata com carinho.
00:11:35: LidiaE o senhor, Paizão, caiu um hábito que o senhor acha que é assim, do Brasil para a Alemanha ou a outra mão? Da Alemanha para o Brasil.
00:11:43: PapaMuito bem, Marilinha. Sua mãe falou muito bem. Um é o problema da reciclagem, que muitas famílias brasileiras não aprenderam, não tiveram ainda essa educação do meio ambiente, para reciclar o que é o plástico, o que é o papelão, o que é o metal, o vidro, separar direitinho. Nós também desconhecíamos isso aí, mas hoje nós já fazemos lá em Fortaleza. E outra que a gente admira muito aqui
00:12:15: PapaA disciplina do povo alemão no cumprimento de horários. Os horários são perfeitos. A coisa começa na hora e termina na hora. Já no Brasil, há uma flexibilidade. Se começa às nove horas, é nove e meia. Não é, é nove horas. Mas é uma questão de disciplina de horário do povo, que eu acredito que, com o tempo
00:12:45: PapaAs outras gerações vão melhorar muito.
00:12:49: LidiaÉ engraçado isso, porque eu percebo, por exemplo, eu, depois de tanto tempo aqui, eu queria que o alemão tivesse um pouco da leveza do brasileiro, entendeu? Mas eu queria que o brasileiro tivesse um pouco mais do senso de responsabilidade do alemão. Às vezes, eu sentia falta nisso, inclusive como médica, entendeu? Mas legal, gostei.
00:13:15: LidiaComo vocês lidam com a saudade da distância dos filhos e dos netinhos? Para esclarecer aqui para vocês, a minha irmã, a Ana Cristina, ela mora ainda em Fortaleza. Ela é delegada da Polícia Civil. Eu tenho um outro irmão que trabalha. Ele é concursado da Polícia Federal. Ele mora lá no Tocantins. Assim, dos três filhos, realmente tem só uma que ainda mora em Fortaleza. Eu estou aqui na Alemanha. E o meu irmão está em Tocantins. E aí a pergunta: como é que vocês lidam com essa saudade?
00:13:45: MamaAinda bem que existe o WhatsApp e a gente se comunica. Toda semana eu procuro comunicar com os nossos filhos, com a Marília, Lígia Marília, né? E com o Álvaro lá em Tocantins, porque a gente sente muita saudade. E é muito bom saber que temos filhos tão bons, tão amigos. Marilinha, mesmo longe aqui na Alemanha, quando acontece alguma coisa séria, ela se comunica e, às vezes, ela chega junto com a gente. Temos uma gratidão muito grande por esse amor que une a nossa família.
00:14:16: MamaMuita saudade, mas a gente fica feliz de eles estarem bem nos locais que eles estão.
00:14:26: PapaMarília, é muito importante essa sua pergunta. Vamos fazer uma rápida retrospectiva no tempo e no espaço. Quando seu pai fazia. Pertencia ao exército, fazia escola de educação física do exército. Eu costumava ser noivo, costumava escrever minhas cartinhas no alojamento. De repente, terminava a cartinha, onde ali eu escrevia todo o amor, todo o carinho que eu tenho pela minha esposa, pela minha mulher.
00:14:57: PapaQue ainda hoje tenho. Pegava um ônibus chamado 107 Estrada de Ferro e ia até a praça da estação onde ficava o escorril, o poste.
00:15:08: PapaE eu somente deixava essa cartinha lá e voltava no mesmo ônibus. Certo? Isso faz assim. Há 50 anos atrás, as coisas mudam e com a mudança vem a tecnologia. Hoje nós temos a internet, temos grupos sociais, temos a facilidade do telefone. E ameniza mais essa saudade porque mantemos um contato quase que diariamente. Isso é muito bom. Faz parte da mudança e da tecnologia.
00:15:39: PapaQue avança a cada dia no tempo e no espaço.
00:15:43: LidiaÉ mesmo, Paizão. A gente tenta tanto se falar, como também fazer ligação de vídeo e tudo mais. Mas não tem aquele momento que substitui o abraço quando a gente se encontra no aeroporto, né?
00:15:55: PapaCom certeza, minha filha.
00:15:57: LidiaTá. Agora a gente vai fazer aqui uma bateria de perguntas, tanto pra minha mãe como pro meu paizão. Vou começar aqui. Pergunta com a mamãe. Mãe, gente, olha, eu adoro escrever. Desde os meus cinco anos eu tenho um diário. E eu gosto muito, é um momento pra mim, assim, que eu relaxo, que eu gosto de, sei lá, escrever algumas coisas que estão no meu íntimo. E também eu gosto de escrever planos, gosto de escrever projetos. Assim, a escrita, para mim
00:16:28: LidiaEla é muito, muito presente. E a minha mãe, ela tem um hábito que a gente hoje chama de forma chique, gourmetizada, de journaling. A mamãe, ela tem vários diários. E eu lembro também, desde criança, que a mamãe já tinha diários. Escrever cartas, escrever o diário, o journaling, ajuda a organizar essa saudade ou torna a sua saudade mais bonita? Qual é o significado, a simbologia dessa escrita para ti?
00:17:02: MamaÉ como se fosse que eu estou escrevendo, que eu sinto o meu sentimento em relação aos meus filhos. E é como se fosse um livro de história. Quando eu tinha, eu tinha diário quando eu era bem jovem. Eu achava bom quando eu encontrava, que eu lembrava daquela vózinha, da minha vózinha que faleceu, daquela amiga que eu queria tanto bem, do meu filho bebê. Os sentimentos que eu tinha da maternidade, a felicidade de ter.
00:17:33: MamaMeu filho no braço, a expectativa de uma gravidez, né? Foram três, graças a Deus, vocês são maravilhosos, nasceram saudáveis. Maravilhoso ver. Antes do casamento, aquele desejo, eu escrevia, como vai ser meu casamento? E hoje eu fico tão feliz de ver quantos sonhos se realizaram na minha vida, através, quando, eu leio os diários, os cadernos antigos, o que aconteceu de bom. É uma felicidade, eu gosto de escrever, de dizer como eu estou sentindo feliz.
00:18:06: MamaNé? Às vezes, quando eu estou triste, também falo. Eu acho muito importante.
00:18:13: LidiaÉ, também uma forma de extravasar um pouco o sentimento. Uma forma de escrever. E a mamãe é uma pessoa de muita fé e de muita ética. Não é sem motivo que ela foi também a minha inspiração e a minha madrinha de colação de grau. Quando eu estava colando grau como médica. E como esses valores te acompanharam na família, como mãe, na questão de disciplina também com os filhos. De você conseguir passar esse valor. Mas também no trabalho.
00:18:43: LidiaNa vida profissional. A mamãe também é profissional da saúde, como odontologista. Ela foi, inclusive, premiada, teve honras ao mérito pelo trabalho dela na prevenção do câncer de boca no estado do Ceará. Como a ética e a fé conseguem se concretizar no dia a dia?
00:19:07: MamaÉ muito importante amar a Deus de todo o coração e mente ao próximo como a ti mesmo. Quando eu trabalhava na prevenção do câncer, trabalhei 20 anos. Via aquele paciente chegar com tanto medo, com tanto pavor, que achava que estava com câncer. Ele vinha para fechar o diagnóstico. Eu procurava sempre dar o meu melhor para que ele não sofresse tanto e procurar dar uma esperança para ele de vida. Na odontologia, procurava fazer o sorriso do paciente ficar mais bonito.
00:19:40: MamaPara ele se alegrar, ficar feliz, a autoestima melhorar. Quando você põe uma prótese, o paciente fica feliz. E o amor, amar, fazer com amor. Quando você faz com amor, dificilmente você erra, porque você vai se dar o seu melhor.
00:19:59: PapaÓtimo.
00:20:00: LidiaVocês estão vendo como as minhas raízes são bonitas, Meu povo? Coisa linda. Agora eu vou passar a bola para o meu paizão. Meu paizão aqui, eu separei umas perguntas aqui para ele. Porque eu gosto de esporte, Vocês sabem. Mas o meu pai também é louco por esporte. E aí tem uma coisa que eu queria entender. De onde é que veio essa sua relação, Paizão, tão forte com esporte?
00:20:32: LidiaCom corrida, com disciplina? Isso é tipo um reflexo também para a vida de caráter, de constância e disciplina? Onde é que encaixa o esporte com o seu plano de vida? Como é que o senhor colocaria isso?
00:20:47: PapaMais uma vez, Marilinha, você me fez uma ótima pergunta e eu tenho o maior prazer em responder.
00:20:54: PapaMarilinha, quando eu era criança, existia um clube chamado Maguari Esporte Clube. Já desde criança, eu praticava futebol de salão, futebol de campo, nadava, corria, praticava outros esportes correlatos também. Isso vai despertando na criança o querer bem pelo esporte, o desenvolvimento pelo esporte.
00:21:24: PapaDesde criança até a idade que eu vou completar agora, 75 anos, uns 15 anos. Eu pratico meu esporte, pratico minha corrida. Gosto do karatê, gosto do judô.
00:21:39: LidiaÉ que vocês não estão vendo os braços do meu pai, Meu povo. É aqui a barriguinha chapada, os ombros. Muita gente elogia os meus braços. Eu digo assim, rapaz, vocês têm que ver o do meu pai.
00:21:51: PapaViu? Essa é a bondade da minha princesa. A gente também pratica uma musculaçãozinha porque tem que praticar musculação que chega a uma determinada idade. Uma perda de musculação e aí a gente recupera através dos exercícios de força.
00:22:12: LidiaMuito bem.
00:22:13: PapaE aí eu, no mínimo, faço três vezes por semana, aliado à corrida. Ou seja, é o esporte de peso, o aeróbico e o anaeróbico. E vai tocando o barco para frente. Graças a Deus, estou muito bem até agora.
00:22:30: LidiaCerto, isso. Mas tem uma coisa também que é bem especial da tua família, Paisão, que é você ter uma família com 14 irmãos. Oito mulheres e seis homens. E o que eu acho muito legal é que, na sua família, vocês são muito unidos. E é interessante que os irmãos mais velhos, eles, com o decorrer do tempo, apoiavam muito os irmãos mais novos. Chegaram até a pagar colégio, às vezes ajudavam com faculdade. Eu acho um sistema que funcionou.
00:23:03: LidiaMuito bem e funciona até hoje. Vocês têm Encontros regulares com os Irmãos, tudo mais. Como foi pra ti crescer numa família tão grande? O que é que isso te ensinou sobre a questão de responsabilidade?
00:23:19: LidiaComo lidar com uma família tão grande? Acho que é um desafio. Tenho três filhos, vocês também tiveram três, mas 14 para mim é outra grandeza.
00:23:32: PapaEntendeu? Realmente, Marilinha, nossa mãe que se encontra em segundo plano
00:23:39: LidiaEla.
00:23:41: PapaIncutiu na gente, A união
00:23:47: PapaA união, o respeito. Peito, ajuda dos mais velhos em relação aos mais novos. Isso funcionou muito bem, como ainda hoje funciona em qualquer família que tem uma prole bem generosa. Hoje já não tem mais, as famílias diminuíram, como é o caso meu, são três filhos e tantos outros. Essa união fez com que
00:24:17: PapaOs nossos laços ficavam cada dia mais fortalecidos e um ajudando o outro. O mais velho era o mais responsável pela mais nova. E eu sou o sexto da prole. E eu me lembro muito bem que, como tenente, eu pagava colégio de dois irmãos meus, com o maior prazer do mundo. E aí foi indo, graças a Deus. Todos são formados.
00:24:48: PapaGraças a Deus, todos são donos do seu próprio nariz. Caminham com a sua independência e vencemos.
00:24:58: LidiaE vocês são muito alegres, a gente morre de rir. Todo mundo jura que está, todo mundo bebe, eles não tomam uma gota de álcool e é todo mundo morrendo de rir, de dançar. Tem muita leveza, muito humor também dentro da família.
00:25:13: PapaA gente tem que levar com mais leveza, com mais tranquilidade, levar as coisas tão a sério. E aí vai tocando o barco.
00:25:23: LidiaCertíssimo. Tem uma imagem que eu lembro muito. Eu já contei até para algumas amigas e até para alguns pacientes. É assim: toda vez que eu acordava, já estava na faculdade. O papai saía para correr 5, 6 horas da manhã, fazia a corridinha dele e voltava. Sabe o que ele fazia? Ele ia limpar o vidro dos nossos carros. Eu tinha o Celtinho na época. E aí ele abria os braços e dizia
00:25:54: LidiaBom dia, princesa. E eu achava isso tão lindo. Mas você também sempre foi muito de curtir os seus filhotes.
00:26:03: PapaNé? Eu adoro meus filhotes. Amo demais. A minha mulher e meus filhos estão no fundo do meu coração. E cada dia que se passa, esse amor cresce ainda mais.
00:26:14: LidiaPois agora, eu peguei a palavra certa. Amor que cresce. Porque esses dois aqui, esses dois, pombinhos, eles já estão há 48 anos de casados e 7 de namoro. E aí eu vou voltar aqui pra doutora Fátima, porque a gente sabe que, aqui… as mulheres têm também um papel muito importante dentro de relacionamento, assim como o homem. E eu queria saber de ti, mãezinha, o que você acha que sustenta um amor por tanto tempo? Quais são os pontos que você acha que são cruciais.
00:26:48: LidiaPara um relacionamento longo?
00:26:50: MamaEu acho que o amor, a gratidão e o desejo de fazer o outro feliz. O desejo de agradar um ao outro, expressar o carinho, acordar com aquele abraço e ter aquele homem junto de você é uma felicidade muito grande. A gente fazia as coisas juntos, querer o bem do outro. Nós somos dois amigos. Nós tivemos a felicidade de construir uma família tão linda.
00:27:22: MamaQue eu amo tanto nossos filhos. E ter a felicidade de envelhecer junto do Boas é uma gratidão muito grande a Deus. Porque nós temos um ao outro. Nossos filhos, como pássaro, eles crescem e voam. E nós temos um ao outro. Nós temos que procurar fazer um ao outro feliz. Eu peço muito a Deus que me dê saúde e felicidade. Que me conceda autonomia até o fim. Que a gente possa envelhecer mais dias. A nossa descendência
00:27:53: MamaQue felicidade ver os nossos filhos, os nossos netos, quem sabe os nossos bisnetos. É uma felicidade.
00:28:02: LidiaE o senhor, paizão, o que o senhor diria que sustenta um amor assim, tão longo, dentro da sua perspectiva?
00:28:09: PapaIsso aí, Marilinha. Você faz perguntas muito inteligentes e interessantes. Realmente, para se ter um casamento assim mais longevo, é ter muito amor, respeito, tolerância, amar a mulher, amar os filhos e estar sempre juntos a toda hora e a todo momento. Certo?
00:28:35: PapaSempre estar junto ali, dando uma força, orientando e tendo um entendimento, porque é com entendimento que as coisas vão mais longe.
00:28:50: LidiaÉ importante também conversar. Porque vocês são pessoas bem diferentes.
00:28:56: LidiaEstruturalmente eu percebo. Vocês acham que isso é conversa? Que isso é compreensão? O que é especificamente? Porque a gente vê que são pessoas que querem que funcione e funciona. Mas vocês acham que é muito mais essa questão de você amar e perdoar, que é uma coisa que eu escuto muito da minha mãe, ou é mais uma coisa de conversa, de diálogo?
00:29:26: MamaA gente também conversa. Que é importante. Porque eu sou muito diferente. O Osco tem. É sempre uma esportista. Ele gosta muito de futebol.
00:29:39: MamaEu assisto um pouquinho. Só não tenho muita paciência com futebol. Só olhar e ver o resultado. Mas a gente procura conversar. Alguma coisa que a gente não está totalmente de acordo, a gente conversa e, no final daquele conto, a gente vê que a gente pode, um, ficar mais a favor do outro. A gente vai vendo os pontos em comum e procurando chegar a um denominador comum.
00:30:11: PapaO entendimento.
00:30:12: MamaO entendimento, porque assim nós somos diferentes. Mas eu admiro muito a família. Família é sagrada e bendita. Família do Bosco, eu tenho muito carinho, assim como a minha família. Minhas irmãs e meus irmãos são sagrados para mim. Você sempre elogia a família e apoiar a família.
00:30:32: LidiaMuito, muito importante isso. E como é para vocês ver os filhos adultos em caminhos tão diferentes do que vocês imaginaram no começo? Nesse ponto, acho que eu sou um pouco monótona, porque com sete anos eu troquei minha festa de aniversário pela Barbie médica.
00:30:56: LidiaAcho que eu já dei alguns sinais lá no início. Mas eu queria saber de vocês. Quando vocês veem os três filhos, cada um com a sua carreira, com o seu estilo de vida, como vocês se sentem?
00:31:11: MamaEu fico feliz, Marília, porque vocês têm condição de crescer. Vocês escolheram os caminhos. Eu quero meus filhos felizes, com uma profissão digna e que dê condição para você ter uma vida próspera.
00:31:33: MamaSem ser o que eu quero, porque às vezes eu vejo pessoas que dizem assim: ‘eu quero que o meu filho seja médico’. Se ele não for médico, lembro quando eu fazia faculdade. Tinha um professor de estatística maravilhoso. O amigo meu falou: ‘Fátima, sabe por que ele é maravilhoso? Porque ele fez medicina, entregou o diploma para o pai dele e foi fazer estatística’. Eu me encantei com a maneira que aprendi estatística com aquele professor. Um cara muito inteligente. Amava aquilo que ele fazia.
00:32:04: MamaEntão eu quero que meus filhos o amem. O que façam. Marília escolheu medicina. Que ela seja uma excelente médica por amar a sua profissão. O Álvaro está muito bem na Polícia Federal. Na parte de informática, ele é muito bom. A Cristina muito bem. Fez também direito. Está na Polícia Civil de Fortaleza como delegada. Ir dar aula na Unifol. Dar aula em cursos de pós-graduação. Eu fico feliz.
00:32:34: MamaNão adianta você querer, isso é o que eu quero. Meus filhos escolheram a sua profissão. Fico feliz de vocês serem dignos, serem profissionais respeitados e andarem com suas próprias pernas. Ter autonomia na vida de vocês. Não ficar dependendo. Graças a Deus, todos os três. Tenho autonomia. Fico feliz de ter uma vida digna, honrada e próspera. Uma felicidade.
00:33:06: PapaMaria, sua mãe foi muito feliz em ter feito essa retrospectiva.
00:33:12: PapaEfetivamente, é isso aí que a gente tem que respeitar, a chamada individualidade biológica. São filhos, mas todos são diferentes uns dos outros. Graças a Deus, todos estão bem, estão em suas profissões que escolheram. E são profissionais competentes.
00:33:37: LidiaEu vou entrar nas perguntas que os ouvintes fizeram para vocês. Uma delas, eu vou botar aqui, estou lendo do jeito que está. Viu? Para vocês depois não ficarem me enrolando dizendo que eu botei pergunta difícil. Vocês eram pais rígidos, tranquilos ou mais firmes e consistentes? O que é que o senhor acha, paizão? Como é que o senhor era como pai? Assim, quando eu morava os três em casa, com um menino pequeno em casa.
00:33:59: PapaMarilinha, ninguém podia perder de vista a disciplina, o respeito e a consistência naquilo lá. É onde a gente formava o caráter e formava a personalidade da criança.
00:34:25: LidiaPapai, ele dizia uma coisa que eu estou lembrando agora. Que era assim: O seu paizão é seu paizão até aonde?
00:34:32: PapaDebaixo d’água.
00:34:34: LidiaE outra coisa que ele falava era assim, Vou começar, o senhor termina, Tá? Negatofe.
00:34:40: PapaEscarlof.
00:34:42: LidiaEra aquele que eu nem perguntava de novo.
00:34:47: LidiaMãe, e você? Você acha que era uma mãe rígida? Era uma mãe chata? Você teve que podar umas asinhas aqui e ali para a gente conseguir seguir melhor?
00:34:55: MamaÉ, às vezes eu era mais chatinha, porque eu procurava muito que meus filhos passassem por média. Eu queria que todo ano, cada dia eles prosperassem mais. Eu exigia, tinha disciplina, muito amor, mas eu exigia que eles estivessem bem no colégio. Tanto que, graças a Deus, todos os três sempre passaram por média, todos os anos eram aprovados bem. A Marilinha sempre primeiro lugar, e eu fico muito feliz de ver que valeu a pena.
00:35:30: MamaPorque eu observava que eu tinha uma tia que ela era muito permissiva, benzinho, não dava disciplina. E a minha outra tia, ela dava disciplina. Então, eu observei que aquela tia que dava disciplina, os filhos delas prosperaram. Foram profissionais. Profissionais bem-sucedidos. E é isso que eu queria com meus filhos, assim como meus pais. Meus pais sempre exigiram que a gente estivesse, estudasse. A educação é muito importante.
00:36:02: MamaMas não se pode esquecer do amor, da educação e lembrar que os pais têm autoridade sobre os filhos. Não é os filhos fazerem tudo o que eles querem. A gente sempre procurava exigir com amor, mas exigia.
00:36:19: LidiaA minha mãe é a pessoa mais doce do mundo. Vocês não querem ver ela com raiva ou decepcionada com a gente, viu? Porque eu sei o que eu passei também, viu? Teve uma vez, eu nunca vou esquecer. Eu tava numa. Todo mundo já teve aquele relacionamento meio chato, né? Eu tava num que, meu Deus, pra eu sair. Aí eu lembro que eu falei pra mamãe alguma coisa, uma bobagem. Ela olhou pra mim e disse assim: minha filha, você não acha que você merece mais? Menina, aquela frase ficou na minha cabeça. Você quer saber que eu acho que eu mereço mais?
00:36:50: LidiaAssim, ela falava às vezes, coisas com uma sinceridade tão visceral, sabe? Com tanto amor, mas exigindo. E eu acho isso importante também. É tipo, ele sempre disse, olha, se a gente tentar se levantar um pouquinho que fosse a voz, olha, exige respeito. Fale comigo direito. Assim, sempre foi uma coisa de muito respeito, de colocar muita educação à frente, né? E eu acho que isso foi um dos grandes aprendizados que eu tive dos meus pais também.
00:37:21: LidiaMas, gente, deixa eu contar aqui uma fofoca para vocês. Vocês sabem que meu pai vai completar 75 anos. Não parece, tá? Mas acho que meu pai é uma das únicas pessoas que aumentava a idade dele para cima. Porque quando ele tinha 66, a minha mãe está rindo aqui. Ele dizia que já tinha 70. Aí todo ano o pessoal dizia: ‘Quantos anos você tem?’ Ele tinha 67. Não, 70. Porque quando ele completou 70 anos, ninguém acreditava mais.
00:37:44: LidiaO fato é que o papai vai completar 75 anos. E é em grande estilo, viu? A gente vai comemorar o aniversário dele em Roma. Aí, senhor João Bosco, fazer 75 anos em Roma. O senhor vai para onde? O senhor vai ficar no Coliseu? O que o senhor quer fazer? Quer ser um gladiador? Diga aí, por que o senhor quis tanto ir para Roma?
00:38:07: PapaRoma é a chamada cidade eterna. É em Roma, a capital da Itália, que se encontra 80% da história mundial. E eu sempre tive vontade de conhecer Roma, mais algumas cidades como Veneza, Milão. Mas tudo tem seu tempo. Agora, com 75 anos, vai dar tudo certo, nós estaremos lá.
00:38:39: PapaNa Praça de Milão, na Praça de Roma, na Piazza di Roma
00:38:46: PapaComemorando mais um ciclo de vida.
00:38:49: LidiaEstá todo trabalhado no italiano.
00:38:53: LidiaVou voltar para as perguntas dos ouvintes. Que tem algumas aqui. Eu conheço vocês. Não vão me enrolar. O que é que vocês acham que a Lídia herdei de cada um de vocês?
00:39:09: MamaA Marília, eu acho que ela herdou de mim o amor. Ela tem muito amor pela família e é muito determinada. Acho isso muito importante.
00:39:25: LidiaAquela ambição positiva.
00:39:26: MamaÉ, aquela vontade de vencer, de conseguir seus objetivos. Isso é muito bom. E a Marília tem fé.
00:39:38: PapaMinha princesa, você herdou 50% do pai e 50% da mãe.
00:39:49: PapaE uma das coisas que você puxou do paizão foi a prática de esporte, gostar de praticar esporte. Hoje, minha princesa também pratica seu tênis, seu boxe, mais algumas atividades esportivas, mesmo com os compromissos da medicina. E isso é muito bom. Todos os filhos sempre têm um pouco da genética de um ou mais de outro. E isso faz parte da família.
00:40:14: LidiaÉ, sim. A mamãe me ensinou muito a visualização. Quando eu tinha um objetivo em mente, eu sempre gostei de meditar, gostei de orar e de visualizar. Aprendi isso em muita terridade. A mamãe me ensinou isso muito cedo. E o papai sempre dizia que o esporte tem que fazer parte do dia a dia. Eu via o papai em casa treinando. Hoje em dia, tenho uma academia em casa também, com essa inspiração, de cuidar do corpo, de honrar o corpo onde a gente está, onde a gente está nessa vida. Trazer o esporte para o dia a dia.
00:40:46: LidiaComo uma coisa que faz parte, como escovar os dentes, comer, dormir e o esporte, então ele também traz isso. E eu tenho uma coisa do papai que eu aprendi. Ele tinha um fichário para cada filho. Ele tinha uma organização das pastas, que eu nunca vou esquecer. A gente às vezes pedia uma coisa pra ele. Ele ia em cima. É virginiano, né, de nascimento? Aí ele muito organizado. O papai conseguia colocar todas as coisas dele numa portinha de guarda-roupa. E tinha uma parte que era papelaria.
00:41:17: LidiaUma parte que era camisa. Eu não sei como ele conseguia organizar aquilo tudo de uma vez, mas é fato. Pra próxima pergunta agora, hein? O que vocês olham? O que vocês estão fazendo? Com orgulho pra Lídia, identificando alguma coisa que eu fazia de repente quando criança, que vocês acham que por isso eu cheguei de repente onde eu cheguei hoje em dia.
00:41:41: MamaÉ uma coisa que eu acho muito bonita. É assim, você é uma criança. Desde pequenininha você tinha amor. Era uma menina muito inteligente. Eu sempre admirava a sua. Quando eu recebia as suas notas, eram 10, 10. E eu achava linda a. Assim, é… Você era estudiosa, era inteligente, e uma menina que amava seus irmãos, que cuidava dos seus irmãos, que era obediente. Às vezes, até eu brincava com você. Quando eu chegava da faculdade
00:42:12: MamaNo sábado, eu estava fazendo almoço. Era o dia da folga da menina que me ajudava. Eu dizia que sou feliz. A minha ajudante de cozinha é acadêmica de medicina. Assim, você sempre chegou junto com a gente. Você sempre teve. Buscava seus objetivos na carreira médica. Mas você nunca deixou de ser uma filha humilde.
00:42:36: LidiaBoa.
00:42:37: MamaUma filha que chegava junto da gente, que cuidava dos seus irmãozinhos. Isso eu acho muito bonito. Tinha muito respeito pelos avós. Sempre teve pela família, pela família do seu pai, pela minha família. Isso eu tenho muita gratidão a você. Pelo carinho, porque você nos tratava como pais, sempre nos honrou, nos amou. E os nossos familiares também.
00:43:03: LidiaPaisão, e eu, menina velha lá, Pequenininha, Quer isso ouvir alguma coisa em mim, Criança, Que destacava assim um pouquinho?
00:43:09: PapaCom certeza, Marilinha. Papai e a mamãe nunca se preocuparam com os seus deveres de casa. Você fazia todos os seus deveres de casa sem perguntar nada a ninguém. Era um QI alto. Você tocou da Barbie Médica. Você trocou seu aniversário pela Barbie Médica. Eu disse, minha princesa, vai ter inclinações pra medicina.
00:43:40: PapaFoi dito e feito.
00:43:41: LidiaNé?
00:43:44: LidiaVocês estão, Uma graça aqui
00:43:46: MamaViu?
00:43:47: LidiaFizeram uma pergunta que agora, estão me colocando como chata. Olha o que é que perguntaram. A Lídia fica no pé de vocês pra cuidar da pele, pra passar creme? Hoje já é algo internalizado.
00:43:58: MamaÉ algo internalizado. A Marília nos motiva a procurar ter mais cuidado com a pele. Ela sempre nos ajuda, nos orienta. Eu sou uma pessoa muito simples, não tenho muita vaidade. Mas eu acho muito importante a Marília nos orientar.
00:44:20: LidiaMas a minha mãe tem um skin de um milhão. A minha mãe tem uma pele que todo mundo sempre elogiou. Desde criança, lembro do pessoal elogiando a sua pele. A pele da mamãe sempre foi muito bonita. E ela sempre foi de passar protetor solar na gente, ainda pequeno.
00:44:38: MamaProtetor solar no Nordeste, aqui mesmo também eu gosto de passar no rosto e no corpo. Protetor solar é uma coisa importantíssima. Sempre foi.
00:44:49: LidiaQue orgulho da Dermato aqui. Cadê o meu paizão? Paizão, o que é que o senhor acha? O senhor acha que eu pego no pé de vocês?
00:44:56: PapaSem dúvida, Marília, com a sua formatura em medicina, na especialidade Dermato. Certo? Você cuida melhor da nossa pele, da nossa aparência. Certo? E isso é muito bom, porque a gente tem um acompanhamento médico de uma filha que está sempre preocupada com o papai e com a mamãe. Certo? Sem dúvida, você fez a diferença.
00:45:23: LidiaNós temos aqui, Acho que eu peguei todas as perguntas. A gente já falou do segredo para manter um casamento por tanto tempo. Já fui aí com as perguntas de vocês. Mas eu vou contar aqui outra coisa que eu acho que caracteriza muito os meus pais. Vocês não têm noção, Mas eles estão batendo o recorde de Duolingo
00:45:45: PapaMeu povo.
00:45:46: LidiaEsse povo faz tanto duolingo, é uma graça. Agora eu vou testar. Eu vou pedir pra eles falarem alguma coisa em alemão.
00:45:57: LidiaVamos ver agora. Eu vou testar. Vou entregar um microfone. Vamos ver o que vai sair.
00:46:12: MamaEu já tentei fazer um curso de alemão. Eu gosto do Duolingo, é bom para idosos. Mas eu não consegui aprender a falar fluentemente. Hoje eu faço o Duolingo em inglês, que é mais fácil.
00:46:28: LidiaAs confissões aqui.
00:46:32: LidiaPaisão, quer dizer a sua frase?
00:46:34: PapaOr liba bad kinshi, Feeling Duncan.
00:46:40: LidiaZé Agudes, Opa!
00:46:44: LidiaEu vou guardar essa conversa aqui com muito carinho. É uma forma também de eu homenagear os meus pais. Ter a vozinha deles aqui gravadas e uma conversa que eu acho que foi tão gostosa. Compartilhar essas histórias, essas lembranças, esses pensamentos tão bonitos. E eu tenho uma dedicatória especial. Tenho uma dedicatória especial desse episódio para todo mundo que está longe dos pais, para quem também já perdeu os pais. E que sabe dessa saudade que, ao mesmo tempo, é tão doída.
00:47:15: LidiaMas também é tão bonita dos nossos pais, que eles estejam aqui ou no outro plano. E é isso aí. Esse foi mais um episódio do Coisa de Pele, um espaço aqui, onde a vida consegue ter aquele lugarzinho seguro, cheio de amor, de memória, que entende de distância, que entende de afeto e também da permanência. Desses valores na gente. Até a próxima.
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